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Projeto de integração do rio São Francisco com bacias hidrográficas do nordeste setentrional

SITUAÇÃO ATUAL E PRINCIPAIS ENTRAVES DO PROJETO PARTE 2: A INAUGURAÇÃO DO TRECHO LESTE

Por José Eduardo Cavalcanti

Publicado em 22 de maio de 2017

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Quase dez anos após o início das obras iniciadas em 2008, as águas do rio São Francisco finalmente chegam ao nordeste brasileiro através do trecho Leste inaugurado dia 11 de março de 2117 pelo presidente Michel Temer. Prevista para ser terminada em sua totalidade em 2012 faltam, no entanto, ainda concluir obras a serem feitas principalmente no trecho Norte. Orçadas inicialmente em 4,5 bilhões de reais as obras já consumiram até agora cerca de 10 bilhões de reais.

Em setembro de 2013, em artigo anterior, tivemos a oportunidade de descrever resumidamente todo o projeto de transposição e comentar os vários entraves porque passavam as obras como atraso do cronograma, retrabalhos, projetos deficientes, problemas construtivos e de manutenção das obras, abandonos de trechos por empreiteiras, bem como perguntas sobre o que realmente já se gastou, o quanto a mais o projeto irá custar, entre outras questões.

No trecho recém inaugurado, as águas captadas no rio São Francisco em Floresta chegaram a Paraíba, mais precisamente na cidade de Monteiro. Depois as águas seguem o curso do rio Paraíba adentrando ao reservatório de Poções e, depois,Camalaú no sertão do Cariri.

Ainda em maio, as águas deverão chegar ao açude Epitácio Pessoa, mais conhecido como Boqueirão que abastece Campina Grande e mais 18 municípios paraibanos beneficiando mais de 800 000 pessoas.

No trecho inaugurado de 206 Km desde a barragem de Itaparica em Petrolândia, Pernambuco, até Monteiro, a água passa por seis estações elevatórias, cinco aquedutos, 23 trechos de canais e ainda 12 reservatórios capazes de armazenar 910 milhões de m3 de água.--- Areias, Braúnas,( o maior deles com 14 milhões de m3), Mandantes, Salgueiro, Muquem, Cacimba Nova, Bagres, Copiti, Moxotó,, Barreiros, Campos (o segundo maior com 8 milhões de m3)e Barro Branco.

Inicialmente, as águas da barragem de Itaparica seguem por um canal de aproximação até a Estação de Bombeamento EBV1que recalca as águas em 36 metros até uma bacia de acomodação seguindo até a barragem de Areias.
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A segunda Estação de Bombeamento (EBV-2), elevará a água do rio em até 43,1 metros avançando até o reservatório Mandantes, o terceiro do Eixo Leste, percorrendo 32,4 quilômetros. (Dentro do reservatório de Braúnas foram instaladas emergencialmente 4 bombas flutuantes emprestadas pelo governo do estado de São Paulo que as havia utilizado anteriormente na crise hídrica paulista, de modo a antecipar por 25 dias a chegada de água à Campina Grande).
Já a Estação Elevatória EBV-3 receberá as águas vinda do reservatório Mandantes e elevando-as a uma altura de 63,5 metros, permitindo o escoamento por gravidade até a quarta estação elevatória (EBV-4), em Custódia (PE). Neste trajeto, as águas passarão por três reservatórios localizados no estado de Pernambuco – Salgueiro, Muquém e Cacimba Nova – e pelo aqueduto Jacaré, completando 97 quilômetros dos 217 que formam o Eixo Leste.
. A quinta estação elevatória (EBV-5) vai bombear as águas vindas do reservatório de Copeti, segundo uma altura de 41 metros. Depois, por gravidade, as águas seguem até o reservatório de Barreiro onde a última estação (EBV-6) do Eixo Leste eleva as águas até o reservatório de Campos.

Antes de chegar ao açude Poções em Monteiro,as águas passam pelo reservatório de Barro Branco onde também se inicia o ramal que alimentará a futura adutora do Agreste que interligará o eixo leste à bacia do rio Ipojuca. De Poções, as águas seguem pelo leito do rio Paraíba até o açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) e finalmente na barragem de Acauã em Itatuba na Região Metropolitana de Campina Grande, destino final destas águas.

Toda a vazão é controlada pelo volume da barragem de Sobradinho. A quantidade de água é fixada pelo Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico do Ministério de Minas e Energia.A vazão mínima é de 26.4 m3/s correspondendo a 1.4% da vazão média do São Francisco. A vazão máxima foi estabelecida em 127 m3/s somente autorizada quando houver sobras de água no São Francisco.

Desta forma, o velho Chico empresta parte de suas águas para irrigar o sertão nordestino. Mas os desafios são muitos principalmente aqueles focados na tarefa de preservar a integridade do ecossistema do rio São Francisco e da qualidade das águas transpostas.

O sonho sonhado desde meados do segundo Império finalmente se realizou. Em 1856, o Barão de Capanema enviado por Dom Pedro II concluiu pela viabilidade da abertura de canal interligando o São Francisco ao rio Jaguaribe.Em 1908, Euclides da Cunhaincluiu a transposição do S. Francisco quando delineou um plano estratégico do semiárido.

 

José Eduardo Cavalcanti

Engenheiro Químico, associado ao Instituto de Engenharia Outros artigos de José Eduardo Cavalcanti



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