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Ser associado do Instituto de Engenharia
Por Aluizio de Barros Fagundes
Publicado em 29 de maio de 2012A prolongada crise econômica do País, que perdurou no último quartil do século XX, é a efetiva causa da estagnação no crescimento do nosso quadro de associados nesse período, como, aliás, aconteceu agudamente com a própria profissão do engenheiro. Precisamos abandonar a ingênua ideia de que o jovem engenheiro deseja apenas vantagens gratuitas e que, sem um leque de ofertas colaterais
(também uma mera ilação de desinformados), o Instituto perdeu associados ou não os atraiu.
Basta conjeturar que, num período de 10 anos, entre 1995 e 2005, formaram-se em nosso Estado de São Paulo, apenas 10 mil engenheiros. Estarrecedor, não é mesmo?
Nós, do Instituto de Engenharia, podemos e devemos continuar a busca na recuperação de adesões às nossas divisões técnicas; na oferta de cursos técnicos complementares atraentes aos profissionais que estão no mercado; na continuidade de realização de eventos para evidenciar as opiniões da classe e outras tantas atividades que arrefeceram no bojo da crise a que acima me referi. Porém, esse esforço, certamente extraordinário, não pode ser aceito como suficiente para angariar os fundos necessários à operação da entidade.
Vale a pena relermos os objetivos estatutários do Instituto, assim como o teor de sua “missão”, uma vez que esses documentos os associados devem obedecer, sobretudo se a eles tiveram acesso no ato de sua inscrição.
O Instituto de Engenharia não é órgão sindical, não é associação de negociantes e tampouco é agente regulador ou fiscalizador do exercício profissional da atividade econômica. Aqui não se discutem as relações contratuais e remunerativas da prática da engenharia. O foco essencial do nosso Instituto
é tratar a engenharia como técnica, ciência e arte, exercida em benefício da humanidade.
Portanto, o Instituto não é um balcão de negócios e nem uma câmara de benesses. Sua atratividade, como elemento vital, é incorporar o espírito universal do homem, tornando-o a casa do cidadão formado em engenharia. Ser sócio do Instituto deve ser pensado como motivo de orgulho e honra, pois aqui o associado tem as mais livres condições de oferecer suas contribuições intelectivas, somente pelo engrandecimento de uma gloriosa profissão. O lema “levar vantagem em tudo" deve ser sumariamente rechaçado, sob pena de, em curto espaço de tempo, nossa Casa cair na desmoralização.
Tenho a firme convicção de que, a despeito de algumas crises ao longo do tempo, o Instituto de Engenharia manteve, ininterruptamente, por já quase cem anos, o mais alto prestígio
na sociedade paulistana, paulista e brasileira porque nem seus sócios e muito menos seus dirigentes se desviaram desses princípios éticos. Impensável seria conduzirmos nossos interesses
para a prática de negociozinhos subalternos.
Sob tal orientação, desde o insigne Eng. Francisco de Paula Souza, todos os presidentes do Instituto se recusaram a abastardar nossa instituição. São aspectos morais e de princípio vital, imutáveis ao longo dos tempos e das ondas comportamentais regidas pelo egoísmo e pela esperteza.
Existe uma pletora de ideias salvacionistas para o Instituto apresentadas à Diretoria. Porém, nenhuma dessas proposituras vêm acompanhada de um projeto administrativo em que se examine iminarmente a factibilidade estatutária e, na sequência, se apresentem o escopo detalhado, os custos envolvidos, as fontes de recursos financeiros, o cronograma de implantação e as receitas seguras, esperadas para a sustentação do projeto. Não basta lançar ao ar uma conjectura qualquer e depois verberar
iradamente contra a sua não realização.
Toda a dificuldade em imaginar “planos estratégicos” ou “planos de negócios” para o Instituto de Engenharia reside no fato de que confiança e honradez, nossos “produtos essenciais”, não podem ser vendidos ou barganhados. Apenas podem ser almejados por pessoas comprometidas com os
sentimentos difusos de patriotismo ou cidadania. Concreto, mensurável e real é o objetivo, não desta gestão, mas de todas as demais que nos antecederam, é a construção de nosso prédio, cuja renda, efetiva e não suposta, proveniente de locação dos espaços, terá condição de sustentar nossos
custos operacionais e, assim, podermos cumprir serenamente nossa missão.
Marcos Cintra 


